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Era cerca de 3 horas da manhã de uma terça-feira comum, quando me sentei na cozinha com uma garrafa. Enquanto eu olhava pra ela, e ela me olhava, várias coisas passavam pela minha cabeça. Desde as minhas partidas, partidas de outras pessoas, mudanças, medos. Tudo se passava por aqueles cinquenta centimetros de olhares. Me lembro apenas de pegar o cigarro quando ele se sentou a minha frente, sorrindo, como sempre. - Como você está hoje? Não era pra estar dormindo? - Ah, to indo. E sim, eu deveria estar dormindo. - E tá fazendo o que aqui? Aliás, me da um gole aí. A garganta tá bem seca. Fui até o armário, peguei os copos americanos, exatamente aquele copo americano que foi inventado aqui no Brasil, peguei dois, voltei calmamente. Vi que ele usava uma roupa parecida com a minha. Camisa regata, bermuda preta, o boné virado pra trás. Ele ainda me olhava sorrindo. Servi. - Então - ele disse - você deveria estar dormindo, logo logo vai ter que trabalhar, não é? - Pois é, os...

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