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Sobre a hora de dizer adeus.

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Era tarde quando ele foi embora, e eu nem vi ele indo. Eu estava, como sempre, sentado no balcão do meu velho e querido bar. Pensando em tudo o que estava acontecendo na minha vida e sobre como eu me sentia bem com coisas que eu estava percebendo. Coloquei um copo com cerveja até a boca, me abaixei pra pegar uma moeda que vi no chão, quando voltei, alguém estava do meu lado. - Salve. - Salve - eu disse. Não vi ele chegando, mas estava sorrindo, vestia uma calça jeans, camiseta e blusa de couro,  tinha uma bengala, acredito que tenha algum problema de locomoção. Ele me olhava e sorria sem parar, não acredito que não o vi chegar. Ele pegou o copo, me olhou, ergueu-o - Agradecido, viu moço. Eu tava esperando pra vim conversa com você! - Oxi, esperando? Eu te conheço de algum lugar? - Conhece, mas não vai lembrar agora. Cê tá achando que tá perdido, né? Tá perdido não viu? Tá começando a ver as coisa como ela é. - E tudo o que eu to entendendo, é assim mesmo? - É si...

sobre uma parabola

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Esses dias atrás, alguém me disse uma parabola que não sai da minha cabeça. Primeiro por que eu não me lembrava muito bem o que era uma parabola e segundo, por que ele explicou a parabola e foi mais ou menos como explicar poesia, por um lado acabou com a parabola, mas por outro, se ele não explicasse, juro que ninguém entenderia. Eu estava sentado no refeitório do trabalho, quando no meio de uma conversa sobre futebol, um senhor apareceu vendendo vassouras. Infelizmente não poderiamos ajudá-lo comprando vassouras, pois já haviamos comprado 3 vassouras novas. O curioso é que este mesmo senhor, passava uma vez por mês, sempre entre os dias 7 e 9 do mês, por volta do mesmo horário e oferecia vassouras. Sempre com uma calça social, camisa social com dois botões abertos, um sapato social já surrado pelo caminhar na rua, e um chapéu um pouco grande para o tamanho da sua cabeça. Exclusivamente, neste dia o almoço atrasou e estavamos almoçando mais tarde do que o normal. Então ele apareceu, ...

Sobre partidas.

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Exatamente hoje, fazem cinco anos em que eu joguei tudo pro alto e fui embora. Se quer olhei pra tras. Sentado aqui, nessa praça, tenho pensado em tudo o que poderia ter acontecido nestes cinco anos, mas nem tudo é pra acontecer. Uma hora dessas ela já está casada, feliz, talvez até com filhos. Eu estou aqui, sentado no banco de uma praça no centro da cidade, vendo os poucos velhos que ainda trabalham aqui empurrando carrinhos pela praça a fora. Hoje eles cobram cerca de dez reais pela volta na praça, quando eu era pequeno, andei muito nesses brinquedos, mas era uns dois reais no máximo, ou até três, não lembro bem agora. Enfim, estou cá eu, sentado, pensando em como tudo poderia ter acontecido. Talvez nada desse certo, ou talvez até desse certo alguma coisa. No fim, eu acho que iria embora de qualquer jeito. Sempre se vai embora e sempre haverá uma despedida ou uma partida. Eu deveria me acostumar a não pensar mais nisso. Eu tenho caminhado por toda a cidade em companhia dos meu...

Sobre caminhar uma noite.

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Eu caminhava por uma rua deserta, próximo ao novo bairro da cidade, e enquanto caminhava, tentava não pensar em nada, e deixar apenas minha mente devagar pela imensidão do breu que havia naquela região. Caminhando por uma das ruas ainda sem nome, ela vem até meu ouvido e me diz: - Hey, você não vai mais falar comigo mesmo né? Eu ssó queria o seu bem aquela noite! - Eu preciso pensar - respondi - você foi longe demais com tudo aquilo. - Mas, eu já falei, eu queria seu bem e você sabe que aquilo tudo que estava contecendo não iria dar certo mesmo. - Tá, mas será que você poderia me ajudar a pensar e não ficar gritando histéricamente ? - Mas você não me ouve, você tá sempre me ignorando quando eu falo que você precisa fazer uma coisa assim ou assim. Silêncio. - Tá, você prefere ficar quieto mesmo, não é? É sempre assim, você se tornou um bosta mesmo depois disso tudo. - Pelo amor de Deus, fica quieta. Só me deixa pensar em tudo isso que tá acontecendo aqui. Caminhei por mai...

Sábado, 2 da manhã

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Sábado, 2 da manhã. Eu estava sentado na sala, sozinho com a tv ligada. Passava uma reprise do programa do Jô, já extinto da tv. Eu não prestava a atenção só mantinha a tv como uma companhia sonora. Ela se levantou do quarto, passou pela sala, me olhou, foi até a cozinha. Ouvi o barulho da geladeira, ela mexeu em alguma coisa no armário, derrubou uma colher, xingou um pouco e voltou pra sala. Apenas dei um sorriso tentando expressar que ela nunca iria mudar. E eu não estava reclamando disso, era como ela era. Ela volta pra sala, me estica a mão, uma cerveja. - tá pensando ainda naquilo, né? - ela diz. - é difícil superar as vezes. - você se lembra exatamente do que? Abri a cerveja, dei um gole. A noite estava quente e a cerveja me refrescou um pouco. - sabe - eu disse - certa vez, quando eu tinha uns 6 anos, eu tinha muito medo de morrer. Mas não medo pela forma de como eu morreria, e sim pelo que acontece depois da morte. - hmm - ela dizia esperando que eu continuas...

Uma conversa.

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era sábado e como já dizia o velho Bukowski, "todos estavam bêbados". eu estava sentado, no mesmo bar, no mesmo banco, tomando a mesma cerveja e pensando nas mesmas coisas. ela surgiu e sentou-se ao meu lado. - tudo bem? olhei. - sim, tudo bem e com você? - estou bem. você sumiu, não fala comigo a dias. - hmm eu havia ligado duas vezes naquele mesmo dia, enviado algumas mensagens e não obtive nenhuma resposta, durante dias e mais dias. - quer beber um pouco? - eu disse. - não, só vim saber como você está. o garçom me olha, sou um velho conhecido do bar. frequento desde criança, e meu pai era amigo do antigo dono, já falecido. eu me mantenho amigo do atual dono, que era filho do antigo dono. o olhar dele me dizia que algo não estava bem. - eu tô bem, de verdade. - mesmo? - tô sim. - era o que eu demonstrava. ela pegou um papel, de dentro da bolsa. dobrou, colocou próximo a minha garrafa. - leia quando você tiver tempo. - tá. ela se levanta,  sai. ...

Hoje.

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Hoje eu acordei me sentindo bem. Entreguei-me ao nada.  Ontem foi um dia bom. Disse o que queria dizer, pra quem queria dizer. Ontem fui eu mesmo por alguns minutos durante uma conversa. Mas hoje? Hoje eu sou o nada e voltei ao vazio. Talvez aqui seja o meu lugar. O nada. O vazio. Certa vez alguém me encontrou lá, me tirou de lá.  Por que? Essa é minha única pergunta agora. Como já disse Sartre:  " Não importa o que fizeram de você e sim o que você fez com o que fizeram de você." Mas e se não fizeram nada? Dentro deste quarto escuro, nada faz sentido, nada é possível, apenas esperar.  Esperar que tudo acabe, que o nada domine e que o vazio continue pelo todo. O vazio O nada E eu.