sobre uma faísca
Era de costume, para nós, ficamos sentado na sacada conversando sobre as situações da vida, devaneando sobre os sentimentos mais profundos, bebendo qualquer coisa que tivesse na geladeira e fumando alguns cigarros baratos. Aquela noite seria mais uma noite qualquer se não tivessemos entrado naquele assunto especifico.
- Lembra - eu disse - aqueles quadros que você pintava? Era tinta óleo, não era?
- Era sim - respondeu ela sorrindo.
- Pois então, normalmente, eu encontrava alguma coisa de Pollock. Talvez alguma coisa da confusão da vida, talvez até uma certa tristeza nisso, tudo, sabe?
- Sei sim.
- Eu sei que normalmente, muitos artistas usam a arte para expresar algumas coisas que estão ali dentro, no mais profundo do intimo deles, e que muitas vezes é algo bem pesado e, muitas vezes, até muito triste.
- Sim - ela sempre me respondia sorrindo.
Ah, aquele sorriso me trazia curiosidades que ninguém além de mim mesmo imaginava. Passar algumas horas com ela, falando sobre qualquer coisa, principalmente sobre arte, me trazia aquela faisca.
- Vou te perguntar algo, você responde se quiser, ok?
- Tá, fala - dizia ela enquanto acendia mais um cigarro.
- Me de um cigarro, preciso aquecer as palavras antes de começar a falar. - acendi o cigarro, dei umas duas tragadas olhando para as luzes acesas da noite na cidade. - Pois bem, em meio a toda essa vida artistica, e muitas vezes até triste, e eu digo triste por que viver de arte num país como o nosso não é nada fácil e deve ser muito doloroso ver a rejeição do povo pela arte, em meio a tudo isso, esse turbilhão de coisas que normalmente deixam as pessoas um pouco loucas, minha dúdiva é: há quem te tire o ar, há quem te tire o chão e te deixe feliz em meio a todo caos dessa nossa sociedade?
Ela sorri mais uma vez, traga o cigarro e completa os copos com cerveja.
- Sim, existem anjos que fazem isso comigo. E essa vida de arte é, realmente bem difícil, mas quando se faz o que ama, não se deve desistir, em momento algum. - ela disse sorrindo, ainda.
- Certo, imaginei que existissem pessoas assim, então me diga, a faísca da felicidade já brilhou algumas vezes na sua vida, não é?
- Sim, algumas vezes ela já brilhou.
- E por que você não tenta reproduzir essa faísca em alguma obra? Não sei, pensei em algo diferente, um aquarela, nanquim, grafitte. Acho que essas pessoas que nos ajudam nesses momentos, devem saber, de alguma forma, que nos fazem bem.
- Mas elas sabem, sempre digo isso quando converso com elas.
- Tudo bem, você sempre diz, mas quem disse que se pode expressar tudo com palavras?
- Ora, ora. Logo você, o maior rato de biblioteca que eu conheço, me dizendo que não se pode explicar tudo com palavras - disse ela, entre um trago e outro.
- Exatamente, nem tudo é possível de ser explicado com palavras. Por exemplo, sentimentos. Alguns deles você conseguirá exprimir dentro de um texto, um poema, um soneto. Outros, aqueles que eu considero mais puros, você não vai conseguir exprimir em algumas linhas. Não é possível digitalizar alguns dos sentimentos mais puros.
- Nossa, como você está um poeta hoje - dizia entre gargalhadas - me diz então, um momento em que você vê essa faísca?
- Hoje mesmo, eu ví.
- Aonde?
- Quando você entrou por aquela porta, com uma expressão cansada na face, e com os ombros baixos. Entendi que você tinha trabalhado muito, as vezes muito mais que eu, e essa faísca surgiu, simplesmente por que você estava aqui.
- E como você explicaria o que sentiu quando essa faísca surgiu?
- Isso é algo que eu não consigo explicar com palavras, talvez eu devesse só sentir, não é mesmo?
Rimos um pouco e ela arrematou o copo de cerveja.
- Olha - disse enquanto acendia outro cigarro - posso te dizer que a maior parte dos meus momentos com faíscas é quando você está comigo. Só de estarmos aqui, bebendo cerveja e devaneando sobre a faísca de felicidade no breu da vida, é algo que me alegra. Claro que alguns ápices, mas muitas vezes é com você.
- Nossa, fico feliz em saber disso, e não vou conseguir expressar esse sentimento aqui, com algumas palavras. Desculpa, hahahaha!
- Eu sei que não vai conseguir exprimir, fique tranquilo. Só sente isso tudo que já tá ótimo.
- Faz o seguinte então: essa faísca surgiu?
- Agora pouco, hahahaha!
- Desenha como é esse sentimento então. Quero saber o que eu provoco em você!
Ela sorriu, disse algo incompreensível e tornou a olhar as luzes.
Ela sentiu aquilo que não se consegue explicar e só sentiu.
Era bom aquele momento todo. Eu gostava daquilo tudo.
Ela sabia disso.
Eu sei que ela sabia disso.
- Lembra - eu disse - aqueles quadros que você pintava? Era tinta óleo, não era?
- Era sim - respondeu ela sorrindo.
- Pois então, normalmente, eu encontrava alguma coisa de Pollock. Talvez alguma coisa da confusão da vida, talvez até uma certa tristeza nisso, tudo, sabe?
- Sei sim.
- Eu sei que normalmente, muitos artistas usam a arte para expresar algumas coisas que estão ali dentro, no mais profundo do intimo deles, e que muitas vezes é algo bem pesado e, muitas vezes, até muito triste.
- Sim - ela sempre me respondia sorrindo.
Ah, aquele sorriso me trazia curiosidades que ninguém além de mim mesmo imaginava. Passar algumas horas com ela, falando sobre qualquer coisa, principalmente sobre arte, me trazia aquela faisca.
- Vou te perguntar algo, você responde se quiser, ok?
- Tá, fala - dizia ela enquanto acendia mais um cigarro.
- Me de um cigarro, preciso aquecer as palavras antes de começar a falar. - acendi o cigarro, dei umas duas tragadas olhando para as luzes acesas da noite na cidade. - Pois bem, em meio a toda essa vida artistica, e muitas vezes até triste, e eu digo triste por que viver de arte num país como o nosso não é nada fácil e deve ser muito doloroso ver a rejeição do povo pela arte, em meio a tudo isso, esse turbilhão de coisas que normalmente deixam as pessoas um pouco loucas, minha dúdiva é: há quem te tire o ar, há quem te tire o chão e te deixe feliz em meio a todo caos dessa nossa sociedade?
Ela sorri mais uma vez, traga o cigarro e completa os copos com cerveja.
- Sim, existem anjos que fazem isso comigo. E essa vida de arte é, realmente bem difícil, mas quando se faz o que ama, não se deve desistir, em momento algum. - ela disse sorrindo, ainda.
- Certo, imaginei que existissem pessoas assim, então me diga, a faísca da felicidade já brilhou algumas vezes na sua vida, não é?
- Sim, algumas vezes ela já brilhou.
- E por que você não tenta reproduzir essa faísca em alguma obra? Não sei, pensei em algo diferente, um aquarela, nanquim, grafitte. Acho que essas pessoas que nos ajudam nesses momentos, devem saber, de alguma forma, que nos fazem bem.
- Mas elas sabem, sempre digo isso quando converso com elas.
- Tudo bem, você sempre diz, mas quem disse que se pode expressar tudo com palavras?
- Ora, ora. Logo você, o maior rato de biblioteca que eu conheço, me dizendo que não se pode explicar tudo com palavras - disse ela, entre um trago e outro.
- Exatamente, nem tudo é possível de ser explicado com palavras. Por exemplo, sentimentos. Alguns deles você conseguirá exprimir dentro de um texto, um poema, um soneto. Outros, aqueles que eu considero mais puros, você não vai conseguir exprimir em algumas linhas. Não é possível digitalizar alguns dos sentimentos mais puros.
- Nossa, como você está um poeta hoje - dizia entre gargalhadas - me diz então, um momento em que você vê essa faísca?
- Hoje mesmo, eu ví.
- Aonde?
- Quando você entrou por aquela porta, com uma expressão cansada na face, e com os ombros baixos. Entendi que você tinha trabalhado muito, as vezes muito mais que eu, e essa faísca surgiu, simplesmente por que você estava aqui.
- E como você explicaria o que sentiu quando essa faísca surgiu?
- Isso é algo que eu não consigo explicar com palavras, talvez eu devesse só sentir, não é mesmo?
Rimos um pouco e ela arrematou o copo de cerveja.
- Olha - disse enquanto acendia outro cigarro - posso te dizer que a maior parte dos meus momentos com faíscas é quando você está comigo. Só de estarmos aqui, bebendo cerveja e devaneando sobre a faísca de felicidade no breu da vida, é algo que me alegra. Claro que alguns ápices, mas muitas vezes é com você.
- Nossa, fico feliz em saber disso, e não vou conseguir expressar esse sentimento aqui, com algumas palavras. Desculpa, hahahaha!
- Eu sei que não vai conseguir exprimir, fique tranquilo. Só sente isso tudo que já tá ótimo.
- Faz o seguinte então: essa faísca surgiu?
- Agora pouco, hahahaha!
- Desenha como é esse sentimento então. Quero saber o que eu provoco em você!
Ela sorriu, disse algo incompreensível e tornou a olhar as luzes.
Ela sentiu aquilo que não se consegue explicar e só sentiu.
Era bom aquele momento todo. Eu gostava daquilo tudo.
Ela sabia disso.
Eu sei que ela sabia disso.

Comentários
Postar um comentário